- Me sinto exausta, meus rins doem afim de me lembrar que eu corri demais da forma errada, minha faringe arde e meus pulmões dão sinal de que há falta de ar. Tudo isso poderia valer a pena, eu esperava que valesse, que pudesse olhar para trás e ver todo o percurso percorrido, sorrir e dizer que valeu a pena. Mas estão percebo que ainda estou parada, na linha de largada. Meu corpo está cansado como o de alguém que correu kilometros, mas continuo parada, aqui. Nada mudou. Então por mais que os meus pulmões reclamem, há algo que dói mais que eles, o meu coração. Não seremos fúteis em dizer que ficaria assim chateada por algo tão vão como o último ocorrido, bem... não tanto.
O que agora explode no meu peito, é um dor que guardo a muito tempo e que em geral é algo irritante, mas não devastador. É uma verdade absoluta que escondo de mim sempre, mas que há momentos, como hoje, que é impossível fingir que não percebi. Não adianta todo o esforço, toda a dor, eu continuo exatamente onde começei, parada, mesmo quando senti algo que pensava que fosse vento no meu rosto, mesmo que meus pés se movessem, mesmo quando pensei que eu poderia mudar minha posição nessa história, e quem sabe, um dia, como algo surreal, eu pudesse ser finalmente o primeiro lugar, a protagonista? Oh, não. Ainda assim eu permaneci parada, na minha própria ignorancia, fingindo que corria, que me esforçava, e agora, veja, estou tão cansada por nada! Como aquele personagem figurante já esquecido, alguém desesperado, sem atrativos, tão... descartável. E não importa o esforço, a dor, o desejo. Eu permaneço parada. Inúteis as promessas que fiz, as vezes que usei o velho clichê "dessa vez vai ser diferente", aliás, há no mundo, algo mais clichê que eu? Eu apenas continuo a cometer os mesmo erros, exatamente aqueles que são tão fáceis para eu apontar nos outros, aqueles que não suporto.
O que vejo são apenas pontos escuros no horizonte representando todos aqueles na minha frente, e eu que não consigo me tornar nada melhor. E tudo aquilo que é tão pouco para os outros, é tanto para mim. Por mais que eu possa ver tão claramente os erros e como poder concertá-los, não há tentativas ou esforços que mudem isso, eu apenas continuo parada, vivendo em um mundo de ilusões que me dizem que um dia eu estarei lá na frente, enquanto eu continuo com os pés pesados, sendo a mesma coisa que sempre fui, sem nada. Um nada.
