- Sempre achei que a saudade era de toda má, aquela dor que explode o peito e o seu péssimo hábito de destruir tudo que a gente ama, de nos afastar dos antigos amigos e de estragar os lugares que gostávamos, agora vejo a saudade com um lado diferente: Como uma última salvação de uma coisa pior que a própria saudade, o tempo.
O tempo é cruel, ele nos acostuma, ele desanima, ele cansa, ele nos envelheve e faz notarmos os defeitos que antes não existiam, o tempo muda, é o tempo quem destrói as amizades, o tempo que acaba com tudo que amamos, o tempo acaba com a gente. E só a saudade pode nos salvar dele, a saudade salva o que o tempo estragou, a saudade resalta as coisas boas e nos faz esquecer o que o tempo nos fez perceber.
Parece que o tempo faz questão de acabar com cada "pra sempre", que nada dura em suas mãos, o tempo aparece com diversos pequenos incomodos que vão se tornando grande problemas e qualquer coisinha é o auge de uma briga, tudo cansa, tudo farta. O tempo faz a gente conhecer as pessoas, e por mais que isso seja uma dádiva, também é um fardo, o fardo de aceitar todos os seus defeitos, de ter paciência, de ser compreensível, e nem sempre conseguimos ser assim. Sempre chega o momento em que cansamos de ser tão pacientes e estouramos, que cansamos.
E agora estou com medo do tempo, estou com medo que ele passe, que ele acabe com tudo novamente, eu estou vendo ele desgastar as coisas que gosto aos poucos e junto algo morre dentro de mim, eu fico procurando motivos pra isso acontecer e só acho o tempo. Me sinto incapaz de fazer qualquer coisa, não sei se deixo o tempo fazer seu serviço, se tento salvar, ou se só espero a saudade chegar e preservar o que sobrar, eu to com medo que tudo acabe, mas não sei o que fazer a não ser esperar o tempo, sinto que estão todos se conformando com esse desgaste enquanto eu tento não acreditar nisso, e acaba que talvez o problema não seja só o tempo, e sim eu.
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domingo, 25 de março de 2012
sábado, 17 de março de 2012
As últimas marcas do "amor" perdido

- A olhei nos olhos e não a vi tão feia quanto me lembrava, nem senti tanto ódio quanto havia sentido um dia, o olhei nos olhos e meu coração não bateu mais forte, o seu sorriso e o cabelo desalinhado não mexeu comigo, dessa vez não era nenhum dos extremos: Nem ódio nem afeto, e o pouco de carinho que ainda senti por ele era diferente, sem remorso, culpa, não foi só eu que errei, ele também, isso não me faz mais inocente, mas dói menos pensar no que ocorreu, porque agora posso lembrar meus motivos pra cometer todos os erros que cometi.
Olhei pra ele e senti vergonha, de toda aquela situação, de todos aqueles sentimentos que senti, que sinto. Senti vergonha de todas as ilusões e peças dramáticas que forjei na minha mente, de todo esse teatro, de todos os personagens que representei.
Já escrevi diversas vezes sobre isso e me sinto com vergonha de fazê-lo novamente. Dessa vez eu não vou jurar que me forçarei a esquecer, porque já esqueci, completamente? Claro que não. Mas sem me dar conta, foi passando aos poucos, não doeu nem nada, não chorei, nunca chorei, apenas passou, perdeu a graça, me dei conta da realidade.
A culpa não acabou, se aliviou, não me martirizo tanto para corrigir meus erros, tenho ciencia que a cada dia que passa é menos uma chance pra isto, mesmo assim não o faço, lá no fundo já sinto que o tempo já passou demais para que eu possa mudar alguma coisa, exatamente por isso estou aqui. Talvez se eu tivesse enfrentado meus medos e dito o certo na hora certa, as coisas teriam sido diferentes, mas quem garantiria que seriam para melhor?
Mas o sentimento não foi sozinho, levou uma parte de mim, uma parte daquela antiga eu, complicada demais pra ser quem era e que se esforçava pra se mostrar diferente, e quando ela foi embora deixou claro o que eu mais temia: Eu afasto as pessoas, por medo de que elas se afastem de mim. Mas não posso dizer que vou mudar, porque sinto que não posso, o medo da rejeição é maior do que qualquer sentimento que eu possa sentir.
Não posso dar-lhe certeza que esse período acabou de vez. Se sinto ciúmes? Sinto. Se vou voltar atrás? Tenho a fé que não.
Infelizmente não tenho uma ideia certa de nada, nem se vou continuar a acreditar em tudo que escrevi aqui ou se amanhã acordarei com um pensamento diferente, mas prefiro lembrar que pelo menos por hoje eu tive uma súbita paz em relação a esse assunto, e uma certeza de que é assim porque tinha que ser e ponto, sem mais discussões.
dia 4 de Março de 2012
p.s.: A palavra amor no título foi usada indevidamente por falta de uma melhor palavra.
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