
- A olhei nos olhos e não a vi tão feia quanto me lembrava, nem senti tanto ódio quanto havia sentido um dia, o olhei nos olhos e meu coração não bateu mais forte, o seu sorriso e o cabelo desalinhado não mexeu comigo, dessa vez não era nenhum dos extremos: Nem ódio nem afeto, e o pouco de carinho que ainda senti por ele era diferente, sem remorso, culpa, não foi só eu que errei, ele também, isso não me faz mais inocente, mas dói menos pensar no que ocorreu, porque agora posso lembrar meus motivos pra cometer todos os erros que cometi.
Olhei pra ele e senti vergonha, de toda aquela situação, de todos aqueles sentimentos que senti, que sinto. Senti vergonha de todas as ilusões e peças dramáticas que forjei na minha mente, de todo esse teatro, de todos os personagens que representei.
Já escrevi diversas vezes sobre isso e me sinto com vergonha de fazê-lo novamente. Dessa vez eu não vou jurar que me forçarei a esquecer, porque já esqueci, completamente? Claro que não. Mas sem me dar conta, foi passando aos poucos, não doeu nem nada, não chorei, nunca chorei, apenas passou, perdeu a graça, me dei conta da realidade.
A culpa não acabou, se aliviou, não me martirizo tanto para corrigir meus erros, tenho ciencia que a cada dia que passa é menos uma chance pra isto, mesmo assim não o faço, lá no fundo já sinto que o tempo já passou demais para que eu possa mudar alguma coisa, exatamente por isso estou aqui. Talvez se eu tivesse enfrentado meus medos e dito o certo na hora certa, as coisas teriam sido diferentes, mas quem garantiria que seriam para melhor?
Mas o sentimento não foi sozinho, levou uma parte de mim, uma parte daquela antiga eu, complicada demais pra ser quem era e que se esforçava pra se mostrar diferente, e quando ela foi embora deixou claro o que eu mais temia: Eu afasto as pessoas, por medo de que elas se afastem de mim. Mas não posso dizer que vou mudar, porque sinto que não posso, o medo da rejeição é maior do que qualquer sentimento que eu possa sentir.
Não posso dar-lhe certeza que esse período acabou de vez. Se sinto ciúmes? Sinto. Se vou voltar atrás? Tenho a fé que não.
Infelizmente não tenho uma ideia certa de nada, nem se vou continuar a acreditar em tudo que escrevi aqui ou se amanhã acordarei com um pensamento diferente, mas prefiro lembrar que pelo menos por hoje eu tive uma súbita paz em relação a esse assunto, e uma certeza de que é assim porque tinha que ser e ponto, sem mais discussões.
dia 4 de Março de 2012
p.s.: A palavra amor no título foi usada indevidamente por falta de uma melhor palavra.
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