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segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Saudade Não Recíproca
- Há laços que existem entre nós e o lugar aonde surgimos, algo que influencia a vida inteira,
não adianta o quanto se mude, o quão longe fica, no fundo você sempre pertence aquele mesmo
lugar, e suas ações sempre serão diferentes do mundo ao redor porque os seus costumes, a cultura,
tudo é diferente. É como dizem, não há lugar como a casa da gente. Por mais forte que seja nosso
apego aos outros lugares, ainda assim somos acorrentados a nossa origem. Mas após tantas
mudanças, após tanta miscigenação de culturas dentro de nós, nem mesmo a nossa origem nos parece
familiar. Faltam sorrisos, faltam abraços, faltam vozes familiares à contar as futilidades do
dia-a-dia, falta fazer falta.
Há tantas mudanças, tanta coisa diferente, tudo avança e muda, as pessoas crescem e se esquecem,
no final tudo você acaba sendo apenas mais uma peça do cenário, alguém que não é de ninguém, se
alimentando de fantasmas do passado, lembranças acorrentadas a bancos, praças, a faces infantis na qual jamais verá de novo. É doloroso sentir tanta falta de pessoas que não se é nada além de algum pedaço do passado, querendo ouvir suas vozes, de lembrar tão perfeitamente dos seus jeitos de uma maneira que nem percebia que lembrava tão bem. Enquanto tudo muda e passa, se permanece sentado no mesmo lugar à beira da nostalgia.
Tão aos poucos mata essa falta, falta de pessoas, falta de si mesmo, que no fim a memória vai se
acabando afim de nos poupar a dor, resta-nos somente os nomes, a lembrança de ter sentido falta, que dói tanto que se torna ódio por ter sido esquecida quando tudo que se fez é apenas lembrar e lembrar, então finge que esqueceu, que não quer saber, porque não suporta o fato de ter sido esquecido, de terem continuado a vida sem você, como se não importasse.
E é quando no fundo surge aquela dor, e se não importasse mesmo? E se tivesse sido um nada, não só agora, mas antes também? É quando a memória falha se torna um problema, não há recordações da qual participe, lembra-se apenas dos outros, de suas aventuras, e continua sendo apenas um espectador. Nunca vivi por mim mesma, vivi por eles, senti suas faltas, mas não há como sentirem de alguém que nunca esteve ali, sempre covarde demais para respirar por mim, por isso que essa solidão me atormenta, porque nada sou se não há alguém para na qual eu possa viver na sombra. E agora me sinto tão diferente, tão distante desse mundo todo ao meu redor, que não há a quem viver na sombra, mas o sol me parece tão grande e ameaçador para que eu possa me expor a ele e permitir que me queime para quem sabe, descobrir que alguém pode se lembrar de mim um dia.
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