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sábado, 13 de agosto de 2011

Desgostar por gostar.


- Se eu quisesse, sim, eu deixaria de gostar de ti com um piscar de olhos, os sentimentos para mim são assim simples, se eu quero, gosto, se eu não quero, deixo de gostar. E deveria ser assim contigo, eu teria me convencido disso se não fosse tão teimosa, sim, a teimosia não me permitiu desistir de você, e a certeza que um dia seria a certa, também não, eu continuei a gostar de você porque queria, porque não tinha a quem mais gostar, por pura opção: sofri.
Há muito fui romântica, nata, apaixonada pelo sonho de me apaixonar, é assim que o ser humano é, criado para amar, desde de pequenos acreditamos que somos destinados a isso, que toda nossa felicidade depende disso: de amar. Mas por essa pressa em amar, por essa necessidade geral de todos de querer amar de verdade, poucos de nós têm a felicidade de alcançar isso: o amor perfeito, o amor que não mágoa, baseado no respeito, na calma, com o recebido igual ao doado. Sinceramente, poucos os casais que vi que tem esse amor, e é pelo desespero alheio de o ter, que cometemos erros mais básicos, que metemos o pé pelas mãos, que amamos quem não nos ama, é por querer amar demais que acabamos sendo irracionais, que acabamos sofrendo.
Como disse, há muito eu também era um desses, que queria esse amor perfeito, sem saber, na ingenuidade, que parte do amor que eu idealizava era o irracional, e, por esse romantismo em excesso, acabei me desiludindo, acabei então, não querendo amor nenhum, nem o mais passageiro que batia na minha porta, eu o ignorava e continuava a tapar meus olhos, mesmo acreditando nele, mesmo sabendo de sua existência, ainda assim sabia de sua raridade, e talvez ainda mais o valorizei, ainda mais acreditei em sua grandeza, e foi assim, que o desisti: Por ser grande demais, me considerei insuficiente para recebe-lo, nunca vou conseguir doar-me tanto quanto recebo, nunca conseguirei sacrificar-me por alguém. Mas não se engane, claro, continuei a querer encontrar alguém, queria um dia casar-me de branco e véu, mas nunca mais pensei num relacionamento feito de amor, mas de respeito e carinho, eu nunca mais acreditei que poderia amar alguém, mas que poderia viver em paz com alguém, por pura necessidade de uma companhia, mas não alguém que me sufoque em seu mundo e num mar de sentimentos, mas de alguém que me deixe livre, sim, livre, com a falta de amor em minha vida, ganhei em excesso de liberdade, era isso, em fim, que eu não sacrificaria por ninguém.
E fui assim, se esperas que eu diga que acreditei nisso até te conhecer, não te iludas, ainda acredito nisso, ainda sei que não sou o suficiente para amar, e principalmente amá-lo: É ai que está meu motivo para escrever essas linhas, é a falta de capacidade minha de dar-lhe o que pedes.
Reclamo que tu és agressivo demais comigo, sem notar que sou tanto quanto você, ah, é, iguais demais, sim, em todos os defeitos: Egocentrismo, Teimosia, Orgulho. Características que nos fazem bater de frente, sempre, e que me faz ficar nervosa ao falar contigo, ao querer-te agradar-te e acabo me confundindo e só errando mais, mas não ache, meu querido, que desisti por isso, não, eu acreditava que poderia-mos nos curvar com o tempo, não que mudasse-mos, mas que nos adaptassem uns aos outros.
Não, a desistência foi por outra coisa, o motivo que me fez voltar ao passado e escrever este texto todo, por um motivo: Enquanto eu, tão livre, não posso me doar, não posso depender-me de ninguém, limitar-me a ninguém, é exatamente isto que precisas, de alguém que te apoie, alguém que se prendas por ti, que seja extremamente romântico, alguém que diga a palavra "amar" tão em vão, como eu nunca direi, talvez, tu precisas do meu oposto, e principalmente por isso desisti, porque vi que o que te farias feliz não seria eu, porque mesmo que não tivéssemos todos os defeitos, ainda sim, não daria certo. Porque se tirassem todos nossos erros, são sobraria nada de nós.
Foi assim, quando meu sentimentos por ti falaram mais alto que a teimosia, que eu quis parar de gostar, de sentir tanto, eu notei que tu eras carente de alguém que eu não era, e vou te dizeres, quando a realidade, assim, nua, parou em minha frente, não doeu, como eu previa, na verdade, mas fora como uma ferida antiga cicatrizando, senti-me leve ao notar que os pesos de te fazer feliz não eram meus, que eu não era a pessoa certa, que graças aos céus, eu ainda não era a pessoa certa para alguém, que eu não precisaria encarar um amor perfeito.
E se fez, o fim, confesso-te, que ainda não caiu a ficha para mim, que ainda sim o orgulho diz num sussurro a minha orelha: "Mas contigo podes ser diferente..." E que a esperança ainda domina uma pequena parte de meu coração, mas meu racional agora toma as rédeas, e aos poucos, com estes pensamentos, vou evoluindo, vou desistindo, vou desamando, e assim eu começo, justo hoje, quando faz um ano que te conheci.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Em memórias a amizade perdida



- Não me importei durante as primeiras semanas de silêncio, afinal, era díficil nos encontrar para conversar, eram raras as vezes que nos encontravamos, mas eram essas poucas que me traziam o conforto de enfrentar um mundo novo completamente sozinha. Mas aos poucos entrei em pânico, não tinha a outro alguém a confiar, nunca tive alguém que tivesse me dado amizade melhor, e do modo que o tempo passava, só sobrara isso: o Silêncio.
As cartas, os desenhos, as fotos, aos poucos foram sumindo, não porque eu quis, mas porque por pura maldade do destino que fez nem isso me sobrar, até as memórias começaram a ser corrompidas pelo tempo, e as certezas dos fatos se perderam, e só sobrou-me isto: O silêncio.
Não sabes como o silêncio é aterrorizante, caro leitor, é o pior castigo a alguém, o ignorar sem explicar, sumir derrepente, sem saberes o porquê, nem as palavras mais rudes poderiam ter me doído tanto, por tanto tempo, porque a culpa fica subentendida, e eu fico me questionando "será que foi naquele dia?" "será que foi tudo verdadeiro?" E a cada dúvida a ferida se reabre, é, o silêncio é ferida que não cicatriza.
Durante tempos, muito mais do que se imagina esperar por alguém, esperei, o silêncio também ilude, "talvez tenha perdido meu contato" "talvez tenha ficado com algum problema", o silêncio não me permitiu encarar a realidade de frente, me fez ficar na espera, na vontade de uma ultima conversa, nem que continuasse a me odiar, mas que tivesse uma explicação, será que tão horrivel fui a ponto de não merecer explicações? Tão horrivel ao ponto de não saber o que tenho que mudar?
Doeu, é, doeu muito, e não vou mentir que não dói, porque dói, principalmente agora, na hora em que reviro minhas memórias e consigo me dar conta do que ocorreu, qual dos milhares de erros que cometi foi a gota d'agua, a melhor desculpa pelo abandono, minhas lembranças permitiram-me encaixar as peças, minha desilusão me convenceu que foi assim: eterno, sem volta, sem desculpa. Porque, nunca houve amizade, não da sua parte, eu amei demais quem me amava de menos, acreditei demais em quem só estava ali por não ter opção.
Sim, dói, mas não é com a mesma intensidade de antes, o porquê, não sei ao certo, talvez porque cansou de doer, ou porque, não necessito tanto daquela amizade, porque quem antes estava só num mundo estranho, agora, apareceram-me outros como tu, que hoje, são tão preciosos quanto um dia fora, se não mais do que isso,porque dessa vez, é verdadeiro, não foi uma farça. Você me deixou na solidão, sem eu saber o porquê, e agora que descobri que no fim, era o que eu mais temia, falta de amizade, parece que o pior já passou, que o que eu tinha que sofrer, já sofri, não preciso mais me culpar disso. Desta amizade, agora, só posso me lembrar com carinho enquanto remexo nas poucas memorias que me restaram, com saudade, e até um pouco de, remorso, sentindo que fiz pouco, mesmo sabendo que fiz muito.