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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

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- o vento forte, o céu estava nublado, quase escurecendo, o canto dos bem-te-vis, o cheiro da grama recém cortada, tudo tão familiar, e também tão distante, como se estivesse sempre ali, esperando-me, como se quando eu corria por aquelas ruas brincando no gramado fosse a décadas.
mas, aquele sentimento, era incomum.
tinha premonições de que algo ruim ocorreria, mas não, dessa vez não, o vazio estava lá, mas com ele vinha uma sensação de que logo acabaria, quase como um sussurro em seu ouvido, falando para estar lá, para acreditar naquilo. Sorria sem saber porquê, ria de qualquer coisa e se sentiu como si mesma como nunca, sentia que logo veria aquele sorriso malicioso de novo, começou a observar as crianças a brincar, não era mais como uma, não era mais época de acreditar em ilusões.
Mas mesmo assim, o inexistente a dominava, ocorrendo ou não, ou era assim ou não se importava em viver só.
Não era comum, não quer algo comum, não quero ser como elas.
Elas podem me chamar de qualquer coisa, não me importo com suas opiniões fúteis, me chamam de coisas que nem sabem o que é, apenas por não admitirem a diferença, as escolhas estranhas.
não me importo em sofrer, não por isso, não me importo em sangrar.
mas então, o sorriso morreu
abraçou as pernas no banco frio, o céu já escurecera, tinha que ir para casa.
casa?
queria chorar
mas aprendera a viver sem lágrimas
aquele tipo de sensação, era, inexplicável.
seria justo, viver assim?

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