- Nunca fora o que ela esperava, ela quieto e tímido, ainda que fosse o pouco orgulhoso que esperasse, ainda não era o quão envolvente esperava, não era ninguém que lhe fizesse perder a cabeça. Mas ele foi chegando aos poucos, não por iniciativa própria, era impulsionado pelos outros, porque coragem também não era o seu forte. E antes nada mais era que uma brincadeira: Qualquer um junto aos outros que lhe apareceram, nada além do conviniente.
Mas, os pequenos encontros tornaram-se rotina, e muito mais: Públicos. Muita gente acreditando em algo que para ela não estava ali, ou que não queria que estivesse ali, tentava se convencer que ele era ainda uma brincadeira, porque ela não queria sentir o que os outros esperavam que ela sentisse, e converteu isso em negação e raiva, negava até para si mesma, na esperança de conseguir convencer os outros. Mas sabia que aos poucos ele ia a cativando mais e mais, e as pequenas coisas que antes a irritavam agora lhe agradavam. E logo, sem querer, provou o gosto amargo dos ciúmes (negando-os, é claro), só o queria para ela, para mais ninguém.
O tratou mal na expectativa boba de toda garota que espera que seus xingamentos o cativassem na mesma maneira que era cativada por ele, e o negava cada vez mais, tentava mentir para si mesma o obvio: O sentimento por ele. Por mais que parecesse dura como uma pedra e forte como uma fortaleza, por dentro queria todas suas atenções, e os olhos expressivos (de oposição a sua personalidade fechada) mostravam a felicidade de uma garota comum ao ver quem gosta: mas ela não queria ser mais uma garota comum. Por isso o negava mais e mais.
E quando ele a negou, como ela o havia negado milhares de vezes a ela mesma, a raiva, sentiu-se imcompreendida pela única pessoa que esperava entender que a negação, era na verdade uma afirmação. Que a cada briga boba era um "gosto de você" e no desespero o ignorou: Dizia que era para esquece-lo, mesmo sabendo no fundo que era apenas para chamar a atenção dele, como uma última chance de ele perceber em um olhar tudo que ela sentia, e não fora em vão. Ele percebeu, mas era bobo demais para entender o que ela queria dizer, e pensando que o sentimento era repúdio e não amor, se afastou também, com medo.
Só que agora, o sentimento falou mais alto nela, e as muralhas cairam, ela queria, precisava, falar com ele. Precisava entender porque ele simplimente não a compreendia, porque ele não entrava em seu jogo misterioso, ficou horas e horas a pensar em um assunto para puxar conversa (mesmo negando-o ainda), e quando falou com ele, a insegurança a tomou e a vontade de fugir quase foi mais forte que a curiosidade, poucas palavras, nenhuma explicação para a situação. E tudo terminou quando ele a perguntou "Me diga o que te fiz para ser tratado assim" e mesmo no momento quando ela queria ter dito milhares e milhares de coisas que se resumiriam num "gosto de você", mas no orgulho respondeu "nada" esperando que no nada ele detectasse tudo que dissese.
Ela, ainda o nega, cada vez mais, porque agora o medo de não ser recíproca é maior que o orgulho, e o negará até que um dia, ele perceba tudo escrito em seu olhar, que perceba todos os sinais, mesmo sem saber que é a mesma coisa que ele espera: Que ela perceba todos os sinais de seu jeito tímido.
- Para Dórica Martins
Muito bonito, mas não estou entendendo porque é pra mim. Beijos, sucesso.
ResponderExcluir