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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

mutável

- Acordei hoje com um certo tipo de felicidade. Não vou dizer que está tudo bem, há algumas rachaduras na minha vida, mas estou feliz. Não quero escrever sobre coisas tristes, quero curtir minha felicidade, as minhas dores me ajudam a ser assim, eu me construo, me moldo, com elas eu sou eu, aprendi a me aceitar.
Não sou perfeita, longe disso, e conheço de cor e salteado meus defeitos, sei dos momentos que ultrapassei meus limites, sei quais os que me prejudicam, e a cada dia que passa luto mais contra eles, sou mutável, me mudo sempre que possível, sempre que me sinto ameaçada por mim mesma.
Mudo para eu não precisar sofrer mais, para não fazer quem eu amo sofrer, mudo para não carregar mais pesos na conciência, mudo para poder enfrentar mais dores que vem pela frente, e evitá-las quando desnecessárias.
Mudo por mim mesma, por mais ninguém, porque não adianta mudar porque ciclano acha isso, fulano acha aquilo, não adianta eu lutar para me tornar a senhora perfeita nos olhos de todos, porque assim eu seria superficial, não seria eu, eu sempre mudo, mas nunca perdendo minha essência, e essas mudanças, essas dores, me ensinaram a me amar, a saber me valorizar, saber do que sou possível e do que mereço, aprendi a ver quem me merece ou não, e a partir do momento que aprendi a me amar, foi que começaram a gostar de mim, porque ninguém pode gostar de alguém que não gosta de si.
não vou dizer que as mudanças só me trazeram bem, algumas mudanças me deixaram marcas, desilusões, mas foram necessárias, e aprendi a conviver com essas marcas, com essas indiferenças.
E sabendo disso sou feliz, parece que as coisas iluminaram um pouco, porque eu consigo aceitar que não sou perfeita, mas posso ser mutável, sempre me melhorando, a cada dia sendo alguém melhor, mas nunca o suficiente, sempre me iluminando mais, chega de textos tristes, vamos ser feliz, nem que seja só por hoje.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

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- o vento forte, o céu estava nublado, quase escurecendo, o canto dos bem-te-vis, o cheiro da grama recém cortada, tudo tão familiar, e também tão distante, como se estivesse sempre ali, esperando-me, como se quando eu corria por aquelas ruas brincando no gramado fosse a décadas.
mas, aquele sentimento, era incomum.
tinha premonições de que algo ruim ocorreria, mas não, dessa vez não, o vazio estava lá, mas com ele vinha uma sensação de que logo acabaria, quase como um sussurro em seu ouvido, falando para estar lá, para acreditar naquilo. Sorria sem saber porquê, ria de qualquer coisa e se sentiu como si mesma como nunca, sentia que logo veria aquele sorriso malicioso de novo, começou a observar as crianças a brincar, não era mais como uma, não era mais época de acreditar em ilusões.
Mas mesmo assim, o inexistente a dominava, ocorrendo ou não, ou era assim ou não se importava em viver só.
Não era comum, não quer algo comum, não quero ser como elas.
Elas podem me chamar de qualquer coisa, não me importo com suas opiniões fúteis, me chamam de coisas que nem sabem o que é, apenas por não admitirem a diferença, as escolhas estranhas.
não me importo em sofrer, não por isso, não me importo em sangrar.
mas então, o sorriso morreu
abraçou as pernas no banco frio, o céu já escurecera, tinha que ir para casa.
casa?
queria chorar
mas aprendera a viver sem lágrimas
aquele tipo de sensação, era, inexplicável.
seria justo, viver assim?