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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Saudade Não Recíproca


- Há laços que existem entre nós e o lugar aonde surgimos, algo que influencia a vida inteira,
não adianta o quanto se mude, o quão longe fica, no fundo você sempre pertence aquele mesmo
lugar, e suas ações sempre serão diferentes do mundo ao redor porque os seus costumes, a cultura,
tudo é diferente. É como dizem, não há lugar como a casa da gente. Por mais forte que seja nosso
apego aos outros lugares, ainda assim somos acorrentados a nossa origem. Mas após tantas
mudanças, após tanta miscigenação de culturas dentro de nós, nem mesmo a nossa origem nos parece
familiar. Faltam sorrisos, faltam abraços, faltam vozes familiares à contar as futilidades do
dia-a-dia, falta fazer falta.
 Há tantas mudanças, tanta coisa diferente, tudo avança e muda, as pessoas crescem e se esquecem,
no final tudo você acaba sendo apenas mais uma peça do cenário, alguém que não é de ninguém, se
alimentando de fantasmas do passado, lembranças acorrentadas a bancos, praças, a faces infantis na qual jamais verá de novo. É doloroso sentir tanta falta de pessoas que não se é nada além de algum pedaço do passado, querendo ouvir suas vozes, de lembrar tão perfeitamente dos seus jeitos de uma maneira que nem percebia que lembrava tão bem. Enquanto tudo muda e passa, se permanece sentado no mesmo lugar à beira da nostalgia.
Tão aos poucos mata essa falta, falta de pessoas, falta de si mesmo, que no fim a memória vai se
acabando afim de nos poupar a dor, resta-nos somente os nomes, a lembrança de ter sentido falta, que dói tanto que se torna ódio por ter sido esquecida quando tudo que se fez é apenas lembrar e lembrar, então finge que esqueceu, que não quer saber, porque não suporta o fato de ter sido esquecido, de terem continuado a vida sem você, como se não importasse.
E é quando no fundo surge aquela dor, e se não importasse mesmo? E se tivesse sido um nada, não só agora, mas antes também? É quando a memória falha se torna um problema, não há recordações da qual participe, lembra-se apenas dos outros, de suas aventuras, e continua sendo apenas um espectador. Nunca vivi por mim mesma, vivi por eles, senti suas faltas, mas não há como sentirem de alguém que nunca esteve ali, sempre covarde demais para respirar por mim, por isso que essa solidão me atormenta, porque nada sou se não há alguém para na qual eu possa viver na sombra. E agora me sinto tão diferente, tão distante desse mundo todo ao meu redor, que não há a quem viver na sombra, mas o sol me parece tão grande e ameaçador para que eu possa me expor a ele e permitir que me queime para quem sabe, descobrir que alguém pode se lembrar de mim um dia.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Pés pesados

 - Me sinto exausta, meus rins doem afim de me lembrar que eu corri demais da forma errada, minha faringe arde e meus pulmões dão sinal de que há falta de ar. Tudo isso poderia valer a pena, eu esperava que valesse, que pudesse olhar para trás e ver todo o percurso percorrido, sorrir e dizer que valeu a pena. Mas estão percebo que ainda estou parada, na linha de largada. Meu corpo está cansado como o de alguém que correu kilometros, mas continuo parada, aqui. Nada mudou. Então por mais que os meus pulmões reclamem, há algo que dói mais que eles, o meu coração. Não seremos fúteis em dizer que ficaria assim chateada por algo tão vão como o último ocorrido, bem... não tanto.
O que agora explode no meu peito, é um dor que guardo a muito tempo e que em geral é algo irritante, mas não devastador. É uma verdade absoluta que escondo de mim sempre, mas que há momentos, como hoje, que é impossível fingir que não percebi. Não adianta todo o esforço, toda a dor, eu continuo exatamente onde começei, parada, mesmo quando senti algo que pensava que fosse vento no meu rosto, mesmo que meus pés se movessem, mesmo quando pensei que eu poderia mudar minha posição nessa história, e quem sabe, um dia, como algo surreal, eu pudesse ser finalmente o primeiro lugar, a protagonista? Oh, não. Ainda assim eu permaneci parada, na minha própria ignorancia, fingindo que corria, que me esforçava, e agora, veja, estou tão cansada por nada! Como aquele personagem figurante já esquecido, alguém desesperado, sem atrativos, tão... descartável. E não importa o esforço, a dor, o desejo. Eu permaneço parada. Inúteis as promessas que fiz, as vezes que usei o velho clichê "dessa vez vai ser diferente", aliás, há no mundo, algo mais clichê que eu? Eu apenas continuo a cometer os mesmo erros, exatamente aqueles que são tão fáceis para eu apontar nos outros, aqueles que não suporto.
O que vejo são apenas pontos escuros no horizonte representando todos aqueles na minha frente, e eu que não consigo me tornar nada melhor. E tudo aquilo que é tão pouco para os outros, é tanto para mim. Por mais que eu possa ver tão claramente os erros e como poder concertá-los, não há tentativas ou esforços que mudem isso, eu apenas continuo parada, vivendo em um mundo de ilusões que me dizem que um dia eu estarei lá na frente, enquanto eu continuo com os pés pesados, sendo a mesma coisa que sempre fui, sem nada. Um nada.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Sufocada no meu próprio nada.


- Eu ando sentindo tudo se desmoronando ao meu redor. Ultimamente a única coisa que tenho feito é reclamado das coisas estarem ruins e esperado os outros me ajudarem a resolver os meus problemas. Eu sempre me critiquei tanto ao mesmo tempo que julgava a minha opinião como uma verdade absoluta, tratava as pessoas com brincadeiras rudes que as machucavam enquanto eu fico chateada com qualquer coisa. Talvez eu tenha sido mimada demais nessa minha vidinha perfeita e acredite que as pessoas sejam obrigadas a ouvir toda besteira que eu falo, e meu Deus, como eu falo besteiras! E eu estou saturada de tantas e tantas promessas que me fiz de parar de falar tantas bobagens e eu fico tentando entender porque eu acabo agindo de uma maneira tão diferente da que penso. Fico procurando desculpas e acabei de chegar a conclusão que acabaram as desculpas, não é porque estou numa má fase ou porque todo mundo anda me chateando. A culpa é minha e é difícil confessar isso. Fico pensando em que direito eu tive esse tempo todo em julgar as pessoas enquanto a mais errada era eu e agora acho que o que eu mais temia se realizou, eu não consigo ser como as mocinhas de filmes que eu queria ser e eu afasto as pessoas de uma maneira ou de outra. Tentei achar várias maneiras em ser eu mesma porém todas são completamente ridículas e mesmo que eu jure que dessa vez será diferente, acho que nem mesmo eu guardo esse tipo de esperança. Acho que cheguei ao ponto em que as pessoas nem me odeiam, elas simplismente me esquecem, e é isso que dói mais. Porque eu ainda me culpo muito pelo que eu fiz com elas, eu ainda me critico muito. É como se eu realmente não me encaixa-se no mundo em que as pessoas vivem, e eu acabo enlouquecendo e agindo do modo idiota que acabo agindo. Por mais que eu me corrija, por mais que eu insista, o que acaba acontecendo? Eu me machuco novamente e fico a criticar o mundo dizendo que ele está errado. Estou cansada de chatear as pessoas e de chatear a mim mesma,  cansada mesmo. Por mais que eu vá embora e fuja, eu nunca vou conseguir fugir de quem eu realmente sou. Toda a minha imagem é superficial, posso ter boas notas e fazer bons desenhos mas de que isso importa se eu sou completamente vazia por dentro? Completamente vazia. Um nada. Alguém com um nariz empinado e que julga os outros enquanto por dentro se sente assim, um completo nada. Um nada que me sufoca, que me acaba, o que fazer quando você simplismente não possui esperanças de você mesma, quando as pessoas que você amava tanto te sufocam e você se sente culpada por tudo errado ao seu redor? Eu me sinto perdida e a única alternativa pra mim é sumir. É tentar sumir. Fugir de todo esse mundo doido e me excluir na minha utopia boba de que algum dia eu pudesse ser alguém melhor.

domingo, 25 de março de 2012

O pra sempre sempre acaba

- Sempre achei que a saudade era de toda má, aquela dor que explode o peito e o seu péssimo hábito de destruir tudo que a gente ama, de nos afastar dos antigos amigos e de estragar os lugares que gostávamos, agora vejo a saudade com um lado diferente: Como uma última salvação de uma coisa pior que a própria saudade, o tempo.
O tempo é cruel, ele nos acostuma, ele desanima, ele cansa, ele nos envelheve e faz notarmos os defeitos que antes não existiam, o tempo muda, é o tempo quem destrói as amizades, o tempo que acaba com tudo que amamos, o tempo acaba com a gente. E só a saudade pode nos salvar dele, a saudade salva o que o tempo estragou, a saudade resalta as coisas boas e nos faz esquecer o que o tempo nos fez perceber.
Parece que o tempo faz questão de acabar com cada "pra sempre", que nada dura em suas mãos, o tempo aparece com diversos pequenos incomodos que vão se tornando grande problemas e qualquer coisinha é o auge de uma briga, tudo cansa, tudo farta. O tempo faz a gente conhecer as pessoas, e por mais que isso seja uma dádiva, também é um fardo, o fardo de aceitar todos os seus defeitos, de ter paciência, de ser compreensível, e nem sempre conseguimos ser assim. Sempre chega o momento em que cansamos de ser tão pacientes e estouramos, que cansamos.
E agora estou com medo do tempo, estou com medo que ele passe, que ele acabe com tudo novamente, eu estou vendo ele desgastar as coisas que gosto aos poucos e junto algo morre dentro de mim, eu fico procurando motivos pra isso acontecer e só acho o tempo. Me sinto incapaz de fazer qualquer coisa, não sei se deixo o tempo fazer seu serviço, se tento salvar, ou se só espero a saudade chegar e preservar o que sobrar, eu to com medo que tudo acabe, mas não sei o que fazer a não ser esperar o tempo, sinto que estão todos se conformando com esse desgaste enquanto eu tento não acreditar nisso, e acaba que talvez o problema não seja só o tempo, e sim eu.

sábado, 17 de março de 2012

As últimas marcas do "amor" perdido


- A olhei nos olhos e não a vi tão feia quanto me lembrava, nem senti tanto ódio quanto havia sentido um dia, o olhei nos olhos e meu coração não bateu mais forte, o seu sorriso e o cabelo desalinhado não mexeu comigo, dessa vez não era nenhum dos extremos: Nem ódio nem afeto, e o pouco de carinho que ainda senti por ele era diferente, sem remorso, culpa, não foi só eu que errei, ele também, isso não me faz mais inocente, mas dói menos pensar no que ocorreu, porque agora posso lembrar meus motivos pra cometer todos os erros que cometi.
Olhei pra ele e senti vergonha, de toda aquela situação, de todos aqueles sentimentos que senti, que sinto. Senti vergonha de todas as ilusões e peças dramáticas que forjei na minha mente, de todo esse teatro, de todos os personagens que representei.
Já escrevi diversas vezes sobre isso e me sinto com vergonha de fazê-lo novamente. Dessa vez eu não vou jurar que me forçarei a esquecer, porque já esqueci, completamente? Claro que não. Mas sem me dar conta, foi passando aos poucos, não doeu nem nada, não chorei, nunca chorei, apenas passou, perdeu a graça, me dei conta da realidade.
A culpa não acabou, se aliviou, não me martirizo tanto para corrigir meus erros, tenho ciencia que a cada dia que passa é menos uma chance pra isto, mesmo assim não o faço, lá no fundo já sinto que o tempo já passou demais para que eu possa mudar alguma coisa, exatamente por isso estou aqui. Talvez se eu tivesse enfrentado meus medos e dito o certo na hora certa, as coisas teriam sido diferentes, mas quem garantiria que seriam para melhor?
Mas o sentimento não foi sozinho, levou uma parte de mim, uma parte daquela antiga eu, complicada demais pra ser quem era e que se esforçava pra se mostrar diferente, e quando ela foi embora deixou claro o que eu mais temia: Eu afasto as pessoas, por medo de que elas se afastem de mim. Mas não posso dizer que vou mudar, porque sinto que não posso, o medo da rejeição é maior do que qualquer sentimento que eu possa sentir.
Não posso dar-lhe certeza que esse período acabou de vez. Se sinto ciúmes? Sinto. Se vou voltar atrás? Tenho a fé que não.
Infelizmente não tenho uma ideia certa de nada, nem se vou continuar a acreditar em tudo que escrevi aqui ou se amanhã acordarei com um pensamento diferente, mas prefiro lembrar que pelo menos por hoje eu tive uma súbita paz em relação a esse assunto, e uma certeza de que é assim porque tinha que ser e ponto, sem mais discussões.

dia 4 de Março de 2012

p.s.: A palavra amor no título foi usada indevidamente por falta de uma melhor palavra.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Alguém que nunca mais pensei.


- Eu lembro de todos nossos momentos juntas, de todas nossas brincadeiras, das várias noites que dormi em sua casa, eu lembro do seu jeito de ser e até rio sozinha quando vejo que muitas vezes meus gestos são como os teus, eu lembro de como você era minha amiga, minha melhor amiga. Eu lembro de quando você disse que era pra sempre.
Mas as coisas mudaram, não é? A distancia mostrou que muita coisa não é como antes, ambas mudamos, mas você... se tornou outra pessoa. Seu jeito, a maneira como você fala agora, seus hábitos e a maneira como julga as pessoas, tão fútil. Nós riamos de pessoas assim, lembra? E agora você é como elas, você durante muito tempo esfregava na minha cara que eu era indigna de você - e eu, tola, concordava- que você sempre foi muito mais inteligente e que era injustiçada por seus problemas, e eu sempre achei que você era tão azarada, mas todo mundo tem problemas, o que faz o tamanho deles é da maneira os encara, e você, simplismente se faz de vítima.
Seu último veredito sobre mim, foi sob um ponto de vista tão tolo, tão bobo, que me fez pensar o que fazia ainda eu me prender em você, e percebi que durante esse tempo todo, a saudade que eu sentia era de uma pessoa que não existe mais. Tudo que resta entre nós nada mais é que respeito e só, não posso mentir dizendo que confio em você e em suas opiniões, nossos caminhos são diferentes e a maneira que nos lidamos com eles é mais ainda, eu estou me preparando para o futuro e tendo que fazer opções difíceis, enquanto você ainda está reclamando dos caquinhos perdidos no passado só para não ter que ser responsável.
E você sente o mesmo que eu, que tem algo de errado, mas agora só o tempo pode dizer quem está errada nessa história cheia de falhas e manchas, mas apesar de tudo, de toda a mágoa e choro, não acabou. Ainda que não seja como antes, eu ainda estarei aqui para tudo, pra dividir os momentos ruins mesmo que os "bons" sejam cheios de desavenças entre nós duas, porque querendo ou não os laços que fizemos foram para sempre, mesmo que eu não possa mais chamar você de "amiga".

sábado, 19 de novembro de 2011

Chuva de ilusões



-Está chovendo.
Não sei dizer ao certo o porque, mas a chuva sempre me faz pensar que estou mais perto dele. Não que eu acredite que tem alguma diferença entre dias de chuva ou de sol quando se refere a seus sentimentos, mas talvez porque o cheiro desses dias e o som das gotas batendo no vidro sempre me faz lembrar algum lugar que eu deva ter o encontrado, mesmo que eu não lembre.
Me sinto distante nesses dias e a minha vontade de correr para qualquer lugar vai crescendo cada vez mais no peito, a vontade de sumir e só voltar no outro dia é enorme, e é um saco não ser o tipo de pessoa impulsiva, eu fico medindo as consequências e acabo tendo a conclusão lógica de que isso me traria maior mal do que bem, principalmente porque por mais esquinas que eu vire, em nenhuma dessas ruas imundas pela lama eu o encontraria me esperando.
Nunca me contestei se eu simplismente não o encontraria porque ele não é real, eu sempre achei desculpas e situações por essa espera tão longa, mas nunca realmente pensei "mas será que existe?" até porque se eu pensar, posso descobrir que só fiquei louca e que todo o objetivo de minha vida não era nada além de uma invenção boba de alguém que não quer encarar a realidade. Então prefiro não pensar, apenar ignorar essa perguntinha que vai crescendo e ir criando outras desculpas bobas, ir criando outras situações possiveis mas nenhuma realmente concreta, não posso dizer que vou desistir, porque eu me prometi esperar até o fim, e mesmo que as vezes parecesse mais racional parar, é irrecusável a vontade de continuar a sair pelas ruas molhadas a espença de em alguma delas eu reencontrar os olhos que tanto esperei ver de novo.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Você

Quem é você?

Porque eu simplismente não sei. Posso saber parte de seu passado, de seus problemas, sei o que você quer para o futuro e sei de tudo que acontece no seu dia-a-dia, mas não sei sobre você. É como se eu lesse uma narrativa em terceira pessoa que descreve tudo que o personagem faz mas sem nenhuma descrição dele, eu fico só acompanhando a história sem saber suas preferências ou o que pretende fazer.
Muitas vezes parece existir dois de você, que aje de acordo com as pessoas de sua volta, que me trata de acordo com seus interesses, e confesso, tenho minhas culpas, não poucas, mas muitas geradas pelo fato de você me confundir, me sinto intimidada por você, por seu silêncio e olhar de desaprovação, de são saber o que é verdade e o que é mentira, se o "conte comigo" foi sincero ou curiosidade, eu preciso saber qual dos vocês é verdadeiro.
Há muito culpo-me por minhas máscaras mas notei que você é tão cheio delas quanto eu, você é cheio de falsas personalidades, e assim minhas máscaras caem, e eu sou quem eu mais detesto, sim, está ai o motivo de eu me preocupar tanto com isso, mesmo sem querer.

- A um mês atrás.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Sabe o que é pior?


Eu sinto a sua falta.

E eu sei que sou uma idiota por isso, por querer tanto alguém que nunca foi verdadeira comigo, de ficar sempre nessa fita enquanto você simplismente vive como se eu nunca tivesse existido.
Mas é inevitavel, cada vez que eu vejo suas fotos, que vejo você vivendo sua vida e toda hora em que um traço de sua personalidade reflete em mim, a minha vontade é de chorar.
Eu queria saber o que era real e o que não era.
E nessas horas é que eu fico aqui, escrevendo sobre você, novamente.
Não foram poucas as vezes que jurei guardar você no fundo do coração, escondido a merce do esquecimento, e você também não é a unica pessoa a eu jurar isso.
Mas vem essas horas, que minha vontade é correr, bater na sua porta e dizer.
" Volta pra mim"

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Jardim Coração



- Essa noite, depois de muito tempo a negar e tentar esquecer, visitei meu coração, e ele, por incrivel que pareça, ainda era bonito, apesar do tempo que eu o larguei a esmo, ele continuava bem cuidado, não era, afinal, tão mal quanto eu tentava me convencer.
Sua grama era de um verde brilhante e sua paisagem tinha se tornando mais bonita que antes, tinham muitas mais árvores, algumas que eu na minha última visita eu nem tinha ideia de suas existências, e agora eram as mais bonitas, floridas, e muitos dos brotinhos que para mim a importância era pouca também tiveram o mesmo destino, apesar de eu ter desistido, aparentava como se meus cuidados fossem muito maiores do que foram um dia.
Mas em contrapartida, aquela velha árvore grande e frutificada que eu havia deixado a considerando "a melhor" e que nem aquelas pequenas pragas podiam acabar, agora, só restavam alguns galhos folheados, estava doente, eu tinha tomado caminhos muito diferentes daquela amizade antiga e as pequenas pragas tinham se tornado grandes, terríveis. Isso não doeu tanto quando me deparei com a minha outra antiga preferida, estava completamente seca, sem nenhuma explicação, sem nenhum vestígio, se não houvesse a sua lembrança, era como se nunca tivesse existido.
Mais em frente, eu podia ver a cascata de sentimentos, suas águas ainda eram transparentes, mas não tinham a mesma pureza de antes, e agora não se podia ver o seu fundo, e quando vi a mim mesma no seu reflexo, notei que também estava diferente: Haviam muitas cicatrizes.
Então notei que não estava mais sozinha, nas bordas do meu jardim coração vi uma pessoa andando, mas nunca a entrar realmente nele, apesar da vontade de dizer "vá embora", eu não conseguia, porque estando ali, no meu coração, eu não podia mentir, eu queria que ele entrasse e ficasse.
Mas ele permaneceu em silêncio, aquele seu silêncio agonizante que deixava explicito sua desaprovação, e dessa forma ele ficou durante muito tempo, mas saiu e foi embora, sem nenhum palavra, eu sempre fui sincera com quem apenas me enganou, e seu hábito de omitir os fatos nos afastou mais do que eu própria já conseguia.
Havia uma parte mais elevada, ao ir lá vi as estátuas antigas e destruidas de um passado que nem eu tenho conhecimento, e um banco, eu costumava a sentar nele para apreciar a paisagem, e ali sentei de novo, e logo vi ao meus pés o canteiro de margaridas secas, as paixonites acabadas, a dele ainda mantinha a coloração verde do cabo, mas todas suas pétalas de esperança haviam caído, e se antes, eu chorava suas mortes com amargura, desta vez pouco dei importância, pude ver a infantilidade que se escondia em todas elas.
Sumiram de minha atenção, que se voltou para uma estranha árvore logo ali perto, ela era podada e muito contida, impossivel para um lugar abandonado a tanto tempo, ela parecia comigo e minha mania de me cobrar de tudo, de conter-me. A sua sombra, nascia um botão, eram tulipas vermelhas, amores perfeitos, que substituiam em breve aquelas velhas margaridas secas, só bastava eu voltar mais vezes, voltar a cuidar de meu coração, plantar mais árvores, se convencer que ele era bom, e ter paciência, até o dia de seu florecer.

domingo, 16 de outubro de 2011

- As pedras eram falha, as gramas já cresciam entre as lajotas, houve uma época em que eu descia aquela estradinha todos os dias, vivendo na cegueira de só pensar no passado e ter repúdio pelo presente, meus dias eram cheios de "se"s e remosos pelo feito e não feito, as pessoas, as coisas, nada tinha o menor sentido.
E, depois de tantos anos, quando eu subia aquela estradinha como se fosse a primeira vez, foi pela primeira vez que aquele presente que eu tanto odiava me fazia falta, eu, que sempre o detestara, agora o queria, e aquele passado nada mais era que um passado, agora eu sabia que nunca iria voltar atrás e mudar tudo, eles continuariam da mesma forma que estavam mesmo sendo de certa formal cruel. Quando a estrada acabou, e eu vi lá em cima os outros, o meu atual presente, eu vi que apesar de um passado triste, eu ainda tive a chance de mudar tudo, de começar de novo, e ali estava ele, meu presente, as pessoas que agoram fazem parte da minha vida todos os dias, que me amam como eu as amo sem pedir nada em troca.

sábado, 10 de setembro de 2011

Medo.



- Passei por diversas mudanças em minha vida, houveram várias ocasiões que tive que me mudar, para saber lidar com as perdas. Eu tive que criar várias proteções para me adaptar ao meio e não sofrer. Na minha vida existiram várias pessoas que exigiam muito de mim, que notavam os meus defeitos, não vou dizer que isso é sorte ou azar, porque acredito que se muitas pessoas reclamam de seus defeitos, é porque eles realmente estão lá, e eu propria tinha conciencia disso, que haviam coisas em mim que não eram certas. Mas, devo dizer, que muitas delas pegaram pesado demais, muitas exigiam mais do que eu podia e reclamavam as vezes até de coisas absurdas, mas eu, na minha natureza frágil, me magoava muito fácil, e qualquer de suas palavras deixavam cicatrizes fortes, que se estendem até hoje.
E principalmente por essa natureza frágil que fui criando cascas rígidas, não para impedir de me machucar, mas para impedir que as pessoas notassem que eu me machucava, cada vez que eu ouvia suas críticas, eu ficava quieta, disfarçava, mas na maioria das vezes eu sangrava por dentro, cada palavra durava na minha cabeça durante dias. As duras repressões que eu sofria me seguiam até em casa, a todo momento, diariamente, ninguém precisava mais dizer nada, porque eu propria me julgava e me criticava, eu era minha maior carrasca.
Quando eu precisei ir embora, me afastar de todas essas pessoas, eu fiquei completamente só. Começei a acreditar que aquela solidão era um castigo por ter sido alguém tão repulsiva como eu era, as pessoas que falavam sobre mim não estavam ali, mas eu mesma já era o suficiente para exigir de mim, e essa exigencia excessiva acabou corrompendo grande parte de minhas memórias, toda boa lembrança acabava em algum erro meu e um tormento para o dia inteiro. E a solidão acabou fazendo com que eu me isolasse dentro de minha casca, de minhas proteções. Eu acabei me afastando de todas as pessoas que podia por me considerar indigna de conviver com elas.
Não pude ficar fechada para sempre dentro de mim, eu própria acabei me sufocando na solidão, e quando tive que voltar a conviver com as pessoas de fora, que eu tiver de viver socialmente, eu notei que eu já nao sabia como, eu tinha criado uma Timidez ao extremo, eu tinha medo de falar com as pessoas com medo de elas notarem quem eu era, eu tinha medo de errar e de estragar tudo, de que elas me criticassem como tinham me criticado antes. E o meu modo de tentar conviver com as pessoas foi criando máscaras, forjando ser uma pessoa para ver se eles gostam dela, eu forjei ser alguém forte e bruto, alguém que nunca conjulga o verbo amar ( até porque outras feridas me fizeram criar certo repúdio a este verbo), eu me criei para quando mais gosto de alguém, mas o critico e mais o tento afastar, eu tento ser alguém grossa e sem sentimentos na tentativa de convencer as pessoas disso, de tentar ver se elas gostam de mim assim. Receio dizer que na sua maioria se ofendem e acabam se afastando mais ainda do que eu esperava, isso me magoa, muito, acaba gerando mais e mais feridas, e ultimamente até nas mais inocentes brincadeiras acabo me machucando. Não, eu não culpo as pessoas disso, culpo só a mim mesma, culpo-me pela minha fragilidade e pela minha propria mania de me culpar.
Existem pessoas sim, que já consiguiram penetrar de certa forma essa casca, que já chegaram muito próximas de ver quem realmente sou, alguém que guardo até de mim mesma, já há momentos que sou além de uma farça e sou eu mesma, e não são momentos em que estou xingando algo nem falando alguma coisa besta na tentativa de ser engraçada, são momentos que muitas vezes são guardados em silêncio, ou no som mudo das risadas.
Eu so escrevo para as pessoas, as que já sabem muito sobre mim e aquelas que afastei e que hoje guardam receios de mim,para entenderem que tudo que faço são por elas, que a cada palavra e bom dia há uma luta dentro de mim... tudo pra agradar vocês, eu tenho muito medo de ser sozinha, medo tão grande quanto eu tenho de vocês, eu só queria pedir desculpas por todos os dias todos os erros e besteiras que cometo, porque a função deles é querer ser alguém melhor. Eu peço desculpas principalmente por mentir para vocês todos os dias, fingindo ser quem não sou.
Porque hoje em dias muitas das feridas que carrego se tornam insuportáveis, e em qualquer palavra mesmo dita em brincadeira eu me sinto o mais repugnante dos seres e a vontade de lutar é a que esta mais me matando, porque quanto mais eu tento mudar mais critico quem aqui está e mais mal me sinto, eu não aceito ser quem sou e a todo momento estou tentando ser diferente, eu não consigo desistir de agradar vocês e isso acaba gerando uma responsabilidade muito grande, eu me sinto muito responsavel por meus erros, e as vezes a vontade de me tornar insana e me libertar do peso de melhorar chega quase a sufocar.

domingo, 4 de setembro de 2011

Rato de Laboratório



"Ele disse tudo, não só tudo sobre mim, mas tudo que eu queria escutar e não sabia, como o tudo de alguém que eu esperava nada. Eu o tratava mal, foi a quem eu mais fugi na tentativa de fugir de mim mesma, e ainda assim: Deu-me tudo."
- E era essa sua descrição para mim, era isso que eu escrevia sobre você antes de algumas horas atrás.
Confusão, de inicio foi isso: Confusão. Tudo aconteceu rápido demais, sem eu entender, fui levada pela maré de acontecimentos que você forjava e fui sendo pressionada pelos outros em relação aos meus sentimentos. Explodi. Não aguentei e explodi, joguei toda essa raiva em você, o a afastei o quanto podia, e quando você reagiu e se afastou também, me arrependi. E quando mesmo aos pedidos de desculpas você não atendia, mesmo nas palavras doces você reagia, eu me senti culpada, condenei-me a pior existencia e começei a ver alguém que valia a pena em você. Gostei de você confesso, gostei mesmo e nunca senti o nervosismo tão grande em estar perto de alguém, mas não fui hipócrita ao escrever depois que iria te esquecer, o estava fazendo, aos poucos. Claro que a convivencia impedia algumas coisas, certas recaídas, mas eu já estava decidida: De você queria só amizade, mas para tê-la ainda assim teria que conversar contigo, tinhamos muitas feridas do passado, muita coisa que não entendi, e a principal eram o seus motivos. Eu já esperava que no nossa proxima oportunidade eu o faria. Ter a tua amizade era tudo que eu queria visto que apesar de tudo, eras um ponto de apoio para mim. E esta era minha ideia, até agora a pouco.
Graças que não chegou a tempo de eu te perguntar teus motivos: Me iludiria com um monte de mentiras e eu acreditaria que tinha sido especial para você de alguma forma mas que a grande culpada fora eu. Mas, antes disso, de outra boca ouvi o que mais me contestava, e eu soube da verdade: A temida verdade na qual eu me negava. Fui usada. Como um rato de labóratorio para teu experimento, vamos ver afinal, como aquela garota reagiria sobre pressão, e quem liga para os sentimento dela? É claro, ninguém. Ninguém pensou por momento algum que brincar com seus pensamentos poderia magoá-la, você foi pela sua criancisse necessitando de um brinquedo, e pela curiosidade para saber o porque de eu ser tão quieta. "Ah, e se ela gostasse de mim... Eu ficaria com ela, afinal, pode não ser meu tipo, mas vamos ver como seria ela uma tola apaixonada" Aplausos para você garoto, que depois que se cansou do brinquedo decidiu jogar fora, me descartar e tentar me afastar jogando-me a culpa e tratando-me com grosserias. PARABÉNS CARA, VOCÊ É GENIAL. Venda sua tese, ganhe muito dinheiro com isso, seu experimento foi um sucesso.
Mas não só te culpo, culpo a mim, ninguém mandou eu ser tão frágil e transparente, como vidro. Trenei-me para suportar muita coisa, mas não pensei que poderia lidar com cafagestes como você. Mas parabéns, podes ter descoberto sobre mim, muitas coisas na qual eu nunca esperava ninguém falar, mas existem muitas muitas e muitas mais que você não sabe, como não sabe que, agora que sei, não vou deixar quieto, não vou suportar alguém ter brincado comigo, esperes, porque agora, terá volta. Seus fingimentos, suas grosserias, sua irresponsabilidade, tudo, terá volta. Cansei de iludir-me com os dircursos alheios sobre você, sobre as falsas impressões que aos outros você tenta manter, cansei de acreditar que você realmente se preocupa comigo.
Não espere de mim o mesmo joguinho que fizeste comigo, nem que eu exploda em palavras porque sei que você nao vai escutá-las, e estou estourando de raiva por saber que existem armadilhas do destino que me impedem de fazer muita coisa que eu queria, mas espere, meu bem, você vai aprender ainda, que nem todos seus experimentos vão acontecer da maneira como você esperava.

domingo, 28 de agosto de 2011

Negar


- Nunca fora o que ela esperava, ela quieto e tímido, ainda que fosse o pouco orgulhoso que esperasse, ainda não era o quão envolvente esperava, não era ninguém que lhe fizesse perder a cabeça. Mas ele foi chegando aos poucos, não por iniciativa própria, era impulsionado pelos outros, porque coragem também não era o seu forte. E antes nada mais era que uma brincadeira: Qualquer um junto aos outros que lhe apareceram, nada além do conviniente.
Mas, os pequenos encontros tornaram-se rotina, e muito mais: Públicos. Muita gente acreditando em algo que para ela não estava ali, ou que não queria que estivesse ali, tentava se convencer que ele era ainda uma brincadeira, porque ela não queria sentir o que os outros esperavam que ela sentisse, e converteu isso em negação e raiva, negava até para si mesma, na esperança de conseguir convencer os outros. Mas sabia que aos poucos ele ia a cativando mais e mais, e as pequenas coisas que antes a irritavam agora lhe agradavam. E logo, sem querer, provou o gosto amargo dos ciúmes (negando-os, é claro), só o queria para ela, para mais ninguém.
O tratou mal na expectativa boba de toda garota que espera que seus xingamentos o cativassem na mesma maneira que era cativada por ele, e o negava cada vez mais, tentava mentir para si mesma o obvio: O sentimento por ele. Por mais que parecesse dura como uma pedra e forte como uma fortaleza, por dentro queria todas suas atenções, e os olhos expressivos (de oposição a sua personalidade fechada) mostravam a felicidade de uma garota comum ao ver quem gosta: mas ela não queria ser mais uma garota comum. Por isso o negava mais e mais.
E quando ele a negou, como ela o havia negado milhares de vezes a ela mesma, a raiva, sentiu-se imcompreendida pela única pessoa que esperava entender que a negação, era na verdade uma afirmação. Que a cada briga boba era um "gosto de você" e no desespero o ignorou: Dizia que era para esquece-lo, mesmo sabendo no fundo que era apenas para chamar a atenção dele, como uma última chance de ele perceber em um olhar tudo que ela sentia, e não fora em vão. Ele percebeu, mas era bobo demais para entender o que ela queria dizer, e pensando que o sentimento era repúdio e não amor, se afastou também, com medo.
Só que agora, o sentimento falou mais alto nela, e as muralhas cairam, ela queria, precisava, falar com ele. Precisava entender porque ele simplimente não a compreendia, porque ele não entrava em seu jogo misterioso, ficou horas e horas a pensar em um assunto para puxar conversa (mesmo negando-o ainda), e quando falou com ele, a insegurança a tomou e a vontade de fugir quase foi mais forte que a curiosidade, poucas palavras, nenhuma explicação para a situação. E tudo terminou quando ele a perguntou "Me diga o que te fiz para ser tratado assim" e mesmo no momento quando ela queria ter dito milhares e milhares de coisas que se resumiriam num "gosto de você", mas no orgulho respondeu "nada" esperando que no nada ele detectasse tudo que dissese.
Ela, ainda o nega, cada vez mais, porque agora o medo de não ser recíproca é maior que o orgulho, e o negará até que um dia, ele perceba tudo escrito em seu olhar, que perceba todos os sinais, mesmo sem saber que é a mesma coisa que ele espera: Que ela perceba todos os sinais de seu jeito tímido.

- Para Dórica Martins

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Mais uma das incompletas auto-críticas



- Já escrevi e senti tantas vezes, incontáveis, e nunca realmente consegui expressar o que sinto, passam a palavras, despercebidas, não entendidas. E no fundo o que quero é apenas a Verdade sobre mim. Sou minha própria juíza, mesmo suspeita de um erro me declaro culpada, mesmo por meias palavras ou pequenas besteiras, ainda assim dentro de mim há um julgamento e uma ré algemada. Auto-criticas.
Por pura vontade de aproximar as pessoas e medo de que me conheçam de verdade, acabo forjando uma pessoa que não existe, que muda de acordo os interesses, acabo criando uma casca: Alguém que as pessoas poderiam gostar e esquecer de procurar mais profundamente, onde lá dorme o verdadeiro eu, com medo da solidão mas com medo também que o encontrem, porque as memórias do passado a condenam, e tem medo de cometer os mesmos erros de antes, alguém que nessa altura nem eu mesmo sei como pode estar, porque a abandonei para viver de cascas que crio, que por tanta solubilidade se confunde e numa tentativa desesperada de não visitar sua verdade, faz o que mais detesta: Erra. Erro por pura vontade de agradar, erro porque preciso das pessoas próximas de mim, mas apenas o suficiente para não irem além da casca, e só as afasto, mais e mais, por puro medo. Tanto passei trancada em meu próprio coração que fiquei inexperiente em conviver com as pessoas, em confiar, em falar para elas: Essa sou eu. E só as apresento alguém que acho que vai lhes agradar, mas não vai, porque ela é só um farça, só uma mascara rachada e mal feita, só o superficial para alguém que espera o verdadeiro.
Tenho a tendência a me culpar pelos erros dos outros, ver dos defeitos alheios que repudio, em mim mesma. Fico pensando se eu não sou como aquela pessoa, se não pior, e não são poucas as memórias que vem com justificativas tolas que sim, que sou a pior pessoa para julgar, e me sentencio. A cada minuto me detesto mais, e nessa raiva por mim mesma acabo desacreditando que ainda há pessoas próximas de mim porque querem, fico acreditando que há algum motivo por ainda conviverem comigo, mas que logo vão se cansar e desistir, como a muitos já desistiram. E me forço a acreditar que em breve vou ter que enfrentar meu maior terror, o que por medo me faz cometer tantas falhas: A Solidão.
E numa ultima tentativa de aproximação, apelo a minha sinceridade: Sou incapaz de guardar os pesos que carrego para mim, sou transparente como água, por pura necessidade, uma palavra de alguém aqui de dentro que pede: Eu sei que sou difícil, mas entenda que este não sou eu. E a muitos soa infantil ou como os mais detestáveis dizem: Uma fase. Por ser transparente demais poucos valorizam o que sinto. Poucos acham que é verdade ou duradouro.
Queria poder dizer que este era o ultimo texto com este assunto, já tão repetido, mas ainda não consigo me contentar com estas linhas, ainda não consigo dizer tudo que queria e transmitir o que realmente sinto. Só queria a verdade, a verdade sobre quem eu sou. não as malfeitas cascas que crio, queria saber dos meus verdadeiros defeitos, não quero elogios, quero saber só deles, defeitos, quero saber até onde eu estava certa em me julgar.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A inutilidade de alguém afim de escrever


- Apaga, escreve, apaga escreve. Escrever sobre quem já jurei desistir seria pura hipocrisia, escrever sobre quem amo, nada mais é do que a cada "eu te amo" dito sejam menos valorizados e escrever sempre sobre mim é tão cheio de anáforas que no fundo acabo desistindo, e volto ao apaga, escreve, apaga escreve. E sim, eu sei que se escreve antes de apagar, mas achei que assim seria mais sonoro, como fã de um bom simbolismo.
Me limito sempre ao mesmo papo e me cansa escrever da mesma coisa, dos mesmos setimentos que todo dia vão tomando formas diferentes, e creio que todas as minhas atenções na escrita vão para capitulos incompletos de narrativas que deveriam estar aqui, mas não estão. Eu queria mostrar meus sentimentos, mas noto o quão pouco os sinto de modo que poucos posso falar, e acaba sempre no mesmo ciclo que repetimentos.
E por tão poucos sentimentos, que acabam se revezando dia após dias, acaba que há epocas que não sinto nada, que não quero nada, como hoje. Eu quero virar biologa, mas porque? Quero voltar para casa, mas para quê? Quero ficar com fulano, e dai? E tudo acaba sem finalidade, porque nada parece suficiente para eu realmente deseja-lo, tudo parece tão fútil diante do mundo, os humanos parecem tão futeis diante da natureza.
E de que adianta falar sobre minhas teorias malucas sobre a inferioridade da especie humana ou da insesatez do amor? Se no fim, as pessoas irão parar no fim e dizer "Deixa de imaginar, mariana" mas quando articulo com elas, nada tem contra minha tese, além disso: Sou maluca.
Maluca por analisar demais as coisas, por acreditar e desconfiar muito nelas, maluca por começar com um assunto e terminar com outro, e encher-me de antiteses, sim, sou maluca por rir sempre que levo cortadas e xingamentos, porque simplismente nao me magoo fácil, maluca por pensar nas coisas minímas e muitas vezes falar as infantilidades que me vêm a cabeça, maluca por ser ultrarromantica e ao mesmo tempo detestar o amor, maluca por querer ser diferente, maluca por agradar muito os outros e ao querer aproxima-los só os afastos, maluca por essas inumeras figuras de linguagens, anáforas, anacolutos, hiperbatos e antiteses, que estão tão presentes quando escrevo quanto as própias letras. Tão pura Simbolista, romancista e Dadaísta que sou. Escrevendo essas meras linhas por pura vontade de escrever, sendo qualquer coisa, desde que me alivie.


sábado, 13 de agosto de 2011

Desgostar por gostar.


- Se eu quisesse, sim, eu deixaria de gostar de ti com um piscar de olhos, os sentimentos para mim são assim simples, se eu quero, gosto, se eu não quero, deixo de gostar. E deveria ser assim contigo, eu teria me convencido disso se não fosse tão teimosa, sim, a teimosia não me permitiu desistir de você, e a certeza que um dia seria a certa, também não, eu continuei a gostar de você porque queria, porque não tinha a quem mais gostar, por pura opção: sofri.
Há muito fui romântica, nata, apaixonada pelo sonho de me apaixonar, é assim que o ser humano é, criado para amar, desde de pequenos acreditamos que somos destinados a isso, que toda nossa felicidade depende disso: de amar. Mas por essa pressa em amar, por essa necessidade geral de todos de querer amar de verdade, poucos de nós têm a felicidade de alcançar isso: o amor perfeito, o amor que não mágoa, baseado no respeito, na calma, com o recebido igual ao doado. Sinceramente, poucos os casais que vi que tem esse amor, e é pelo desespero alheio de o ter, que cometemos erros mais básicos, que metemos o pé pelas mãos, que amamos quem não nos ama, é por querer amar demais que acabamos sendo irracionais, que acabamos sofrendo.
Como disse, há muito eu também era um desses, que queria esse amor perfeito, sem saber, na ingenuidade, que parte do amor que eu idealizava era o irracional, e, por esse romantismo em excesso, acabei me desiludindo, acabei então, não querendo amor nenhum, nem o mais passageiro que batia na minha porta, eu o ignorava e continuava a tapar meus olhos, mesmo acreditando nele, mesmo sabendo de sua existência, ainda assim sabia de sua raridade, e talvez ainda mais o valorizei, ainda mais acreditei em sua grandeza, e foi assim, que o desisti: Por ser grande demais, me considerei insuficiente para recebe-lo, nunca vou conseguir doar-me tanto quanto recebo, nunca conseguirei sacrificar-me por alguém. Mas não se engane, claro, continuei a querer encontrar alguém, queria um dia casar-me de branco e véu, mas nunca mais pensei num relacionamento feito de amor, mas de respeito e carinho, eu nunca mais acreditei que poderia amar alguém, mas que poderia viver em paz com alguém, por pura necessidade de uma companhia, mas não alguém que me sufoque em seu mundo e num mar de sentimentos, mas de alguém que me deixe livre, sim, livre, com a falta de amor em minha vida, ganhei em excesso de liberdade, era isso, em fim, que eu não sacrificaria por ninguém.
E fui assim, se esperas que eu diga que acreditei nisso até te conhecer, não te iludas, ainda acredito nisso, ainda sei que não sou o suficiente para amar, e principalmente amá-lo: É ai que está meu motivo para escrever essas linhas, é a falta de capacidade minha de dar-lhe o que pedes.
Reclamo que tu és agressivo demais comigo, sem notar que sou tanto quanto você, ah, é, iguais demais, sim, em todos os defeitos: Egocentrismo, Teimosia, Orgulho. Características que nos fazem bater de frente, sempre, e que me faz ficar nervosa ao falar contigo, ao querer-te agradar-te e acabo me confundindo e só errando mais, mas não ache, meu querido, que desisti por isso, não, eu acreditava que poderia-mos nos curvar com o tempo, não que mudasse-mos, mas que nos adaptassem uns aos outros.
Não, a desistência foi por outra coisa, o motivo que me fez voltar ao passado e escrever este texto todo, por um motivo: Enquanto eu, tão livre, não posso me doar, não posso depender-me de ninguém, limitar-me a ninguém, é exatamente isto que precisas, de alguém que te apoie, alguém que se prendas por ti, que seja extremamente romântico, alguém que diga a palavra "amar" tão em vão, como eu nunca direi, talvez, tu precisas do meu oposto, e principalmente por isso desisti, porque vi que o que te farias feliz não seria eu, porque mesmo que não tivéssemos todos os defeitos, ainda sim, não daria certo. Porque se tirassem todos nossos erros, são sobraria nada de nós.
Foi assim, quando meu sentimentos por ti falaram mais alto que a teimosia, que eu quis parar de gostar, de sentir tanto, eu notei que tu eras carente de alguém que eu não era, e vou te dizeres, quando a realidade, assim, nua, parou em minha frente, não doeu, como eu previa, na verdade, mas fora como uma ferida antiga cicatrizando, senti-me leve ao notar que os pesos de te fazer feliz não eram meus, que eu não era a pessoa certa, que graças aos céus, eu ainda não era a pessoa certa para alguém, que eu não precisaria encarar um amor perfeito.
E se fez, o fim, confesso-te, que ainda não caiu a ficha para mim, que ainda sim o orgulho diz num sussurro a minha orelha: "Mas contigo podes ser diferente..." E que a esperança ainda domina uma pequena parte de meu coração, mas meu racional agora toma as rédeas, e aos poucos, com estes pensamentos, vou evoluindo, vou desistindo, vou desamando, e assim eu começo, justo hoje, quando faz um ano que te conheci.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Em memórias a amizade perdida



- Não me importei durante as primeiras semanas de silêncio, afinal, era díficil nos encontrar para conversar, eram raras as vezes que nos encontravamos, mas eram essas poucas que me traziam o conforto de enfrentar um mundo novo completamente sozinha. Mas aos poucos entrei em pânico, não tinha a outro alguém a confiar, nunca tive alguém que tivesse me dado amizade melhor, e do modo que o tempo passava, só sobrara isso: o Silêncio.
As cartas, os desenhos, as fotos, aos poucos foram sumindo, não porque eu quis, mas porque por pura maldade do destino que fez nem isso me sobrar, até as memórias começaram a ser corrompidas pelo tempo, e as certezas dos fatos se perderam, e só sobrou-me isto: O silêncio.
Não sabes como o silêncio é aterrorizante, caro leitor, é o pior castigo a alguém, o ignorar sem explicar, sumir derrepente, sem saberes o porquê, nem as palavras mais rudes poderiam ter me doído tanto, por tanto tempo, porque a culpa fica subentendida, e eu fico me questionando "será que foi naquele dia?" "será que foi tudo verdadeiro?" E a cada dúvida a ferida se reabre, é, o silêncio é ferida que não cicatriza.
Durante tempos, muito mais do que se imagina esperar por alguém, esperei, o silêncio também ilude, "talvez tenha perdido meu contato" "talvez tenha ficado com algum problema", o silêncio não me permitiu encarar a realidade de frente, me fez ficar na espera, na vontade de uma ultima conversa, nem que continuasse a me odiar, mas que tivesse uma explicação, será que tão horrivel fui a ponto de não merecer explicações? Tão horrivel ao ponto de não saber o que tenho que mudar?
Doeu, é, doeu muito, e não vou mentir que não dói, porque dói, principalmente agora, na hora em que reviro minhas memórias e consigo me dar conta do que ocorreu, qual dos milhares de erros que cometi foi a gota d'agua, a melhor desculpa pelo abandono, minhas lembranças permitiram-me encaixar as peças, minha desilusão me convenceu que foi assim: eterno, sem volta, sem desculpa. Porque, nunca houve amizade, não da sua parte, eu amei demais quem me amava de menos, acreditei demais em quem só estava ali por não ter opção.
Sim, dói, mas não é com a mesma intensidade de antes, o porquê, não sei ao certo, talvez porque cansou de doer, ou porque, não necessito tanto daquela amizade, porque quem antes estava só num mundo estranho, agora, apareceram-me outros como tu, que hoje, são tão preciosos quanto um dia fora, se não mais do que isso,porque dessa vez, é verdadeiro, não foi uma farça. Você me deixou na solidão, sem eu saber o porquê, e agora que descobri que no fim, era o que eu mais temia, falta de amizade, parece que o pior já passou, que o que eu tinha que sofrer, já sofri, não preciso mais me culpar disso. Desta amizade, agora, só posso me lembrar com carinho enquanto remexo nas poucas memorias que me restaram, com saudade, e até um pouco de, remorso, sentindo que fiz pouco, mesmo sabendo que fiz muito.

domingo, 3 de julho de 2011

Infantilidades e Auto-mentiras



- Um ano, sabe, parece que não muda muita coisa, eles passam rápidos e cheio de oportunidades, passam com dias memoráveis e outros não, mas um ano muda muita coisa. E vejo o que fazia e dizia, e me vejo tão infantil, não só no passado, mas agora, eu sou infantil, sou besta, egoista, metida, ilúdica, na tentativa de aproximar os outros, eu acabei afastando.
Eu perdi meus limites, as correntes do monstro se soltaram a muito tempo e eu não havia percebido, pensei que estivesse pronta para ser sociável, mas não estou. Ainda sou cheia de defeitos, tão cheia que não os suporto, eu não me suporto, entende?
Estou cheia de medos, de ser tão insuportável, infatil, chata, histérica como julguei os outros serem, estou com medo da solidão, ah, de novo, o medo da solidão!
Eu noto que todas as pessoas que se aproximam de mim eu afasto, querendo ou não, afasto, sempre dou um jeito de as coisas mudarem, sempre dou um jeito de dar errado. Estou com medo de mim, estou cansada de mim, cansada de me culpar pelos meus erros,e cansada de me cansar de mim, cansada de sempre sentir isso.
Cansada de mentir para mim mesma, e de tentar mentir para os outros, e parecer tão superfícial, será quando que vou desistir desse surrealismo que tento pregar em minha vida? Estou cansada das anáforas dos meus textos, de sempre repetir repetir e repetir.
É tão díficil lutar contra mim mesma sozinha, é tão dificil ter medo de ser sozinha.
Sabe o que é ter todas as memórias manchadas por um erro seu?
Sabe o que é não lembrar de uma vez que fez tudo certo? Que foi realmente verdadeira?
É, essa não sou eu, não é, eu estou agindo de modo tão infantil, estou cansada de me sentir assim, tão fora, do meu, do seu mundo.

sábado, 25 de junho de 2011

- Abortei o sentimento, só isso, que há mais a dizer? Abortei, esqueci, resolvi parar de esperar, resolvi me livrar do que só me levava para baixo, resolvi viver.
Convenhamos, que mesmo que fosse recíproca, não teria futuro, no fim acabaria muito pior.
Ouvir as musicas que te lembram, sentir seu cheiro do nada, saudade de sua voz, isso aos poucos acaba, vai passando, e não há ciúmes e/ou orgulho que me farão desistir, preciso pensar em mim.
Preciso largar meu romantismo, notar que não sou tão cheia de defeitos, posso ter muitas qualidades, posso ser idependente, posso ser tudo que sempre quis: ser eu.
Abortei o sentimento, só isso, e dei a luz a outros, ao amor proprio, a mim.
Esqueci de quem não me merecia, abri o caminho para outros.
Eu só quero me divertir.